Que tal multar para valer os maus cidadãos que sujam São Paulo?
Texto: Walcyr Carrasco
Tanto riso, tanta alegria... e quanta sujeira! As folias de Momo parecem ser pretexto para transformar a cidade em uma montanha de lixo. Parece até que a alegria dá o direito de atirarem nas ruas latas de cerveja e refrigerante, saquinhos, palitos e uma infinidade de itens. Como se a animação fosse motivo para emporcalhar ainda mais a cidade.
Essa atitude não se limita ao Carnaval.
Existe sempre. Em ocasiões festivas, como Natal, Ano-Novo, e Carnaval, ela vai aos píncaros.
O estilo paulistano é usar e atirar os despojos no chão. Esse modo de ser é definido pela expressão: "...foi só...".
-- Joguei pela janela do carro, sim. Mas foi só uma latinha de cerveja.
-- Não precisa exagerar. Foi só um maço de cigarros vazio!
O problema é quando a expressão é utilizada por milhões de pessoas ao mesmo tempo. Durante o Carnaval, é horroroso andar em ruas e praças coalhadas de sujeira de todo tipo, acumulada por multidões que "só" jogaram isso ou aquilo. Nas chuvas, bueiros entopem, a cidade vira um caos, e ninguém acha que tem alguma coisa a ver com isso. Claro, a culpa não é apenas do cidadão.
Dificilmente se encontra um cesto de lixo nas esquinas. Enchentes resultam de muitos fatores: fim das várzeas, ocupação pelo concreto do que antes era terreno permeável, falta de manutenção das bocas-de-lobo etc. Entretanto, fico irritado
<180>
quando vejo alguém agir como se tudo fosse culpa de uma entidade abstrata. Crucifica-se a prefeitura, o governo, a falta de educação do povo -- como se quem fala não pertencesse ao povo! Nunca se responsabiliza a pessoa que fumou e jogou "só" uma bituca na calçada, "só" um rolo de serpentina, "só" um copo de sorvete vazio. E o tempo que tudo isso leva para ser degradado pelo ambiente? Muitas vezes, décadas e décadas!
Com certeza, campanhas educativas podem ajudar. A própria Operação Belezura, da prefeita Marta Suplicy, procura criar consciência no cidadão. Pessoalmente, nunca vi criança chupar bala sem jogar o papel no chão, diante do pai ou da mãe. Também nunca vi o distinto genitor conversar, explicar que não se deve sujar a calçada. No íntimo, pensam:
-- Ora, "foi só" um papelzinho...
É incrível como as pessoas gostam de espetar o dedo quando se trata de criticar o próximo, mas são supercondescendentes quando se trata delas mesmas ou dos pimpolhos!
Há mais de duas décadas, viajei pelo Texas e pelo Arizona com um casal de americanos. Surpreso, notei um saquinho pendurado no painel do carro.
-- Que é isso?
-- Para botar o lixo!
Espantei-me. Confesso: para mim, lixo se atirava pela janela.
Quando criança, passeava de carro e adorava jogar folhas de revista e ver como flutuavam no vento! Não nego: tinha o instinto de porcalhão. Achei exagero de americano. Soube então que havia multas para quem emporcalhasse o asfalto. Atualmente, atirar uma lata de cerveja pela janela em território dos Estados Unidos equivale a multa de uns 500 dólares, rigorosamente cobrada.
Diante do exemplo, tendo a acreditar que campanhas educativas, por si só, não resolvem. Vale mesmo é uma boa tungada no bolso. Muita gente vai querer arrancar minha língua -- afinal, já existem tantas taxas, impostos etc., e mais etc. e etc.! Mas, se os porcalhões fossem multados... ah, a cidade seria, sim... uma belezura!
<R+>
(Revista *Veja São Paulo*. São Paulo, Abril, 28 fev. 2001.)
<R->
Reflita sobre ----- texto original e sem modificações, mas que vale até para os dias de hoje!
Texto: Walcyr Carrasco
Tanto riso, tanta alegria... e quanta sujeira! As folias de Momo parecem ser pretexto para transformar a cidade em uma montanha de lixo. Parece até que a alegria dá o direito de atirarem nas ruas latas de cerveja e refrigerante, saquinhos, palitos e uma infinidade de itens. Como se a animação fosse motivo para emporcalhar ainda mais a cidade.
Essa atitude não se limita ao Carnaval.
Existe sempre. Em ocasiões festivas, como Natal, Ano-Novo, e Carnaval, ela vai aos píncaros.
O estilo paulistano é usar e atirar os despojos no chão. Esse modo de ser é definido pela expressão: "...foi só...".
-- Joguei pela janela do carro, sim. Mas foi só uma latinha de cerveja.
-- Não precisa exagerar. Foi só um maço de cigarros vazio!
O problema é quando a expressão é utilizada por milhões de pessoas ao mesmo tempo. Durante o Carnaval, é horroroso andar em ruas e praças coalhadas de sujeira de todo tipo, acumulada por multidões que "só" jogaram isso ou aquilo. Nas chuvas, bueiros entopem, a cidade vira um caos, e ninguém acha que tem alguma coisa a ver com isso. Claro, a culpa não é apenas do cidadão.
Dificilmente se encontra um cesto de lixo nas esquinas. Enchentes resultam de muitos fatores: fim das várzeas, ocupação pelo concreto do que antes era terreno permeável, falta de manutenção das bocas-de-lobo etc. Entretanto, fico irritado
<180>
quando vejo alguém agir como se tudo fosse culpa de uma entidade abstrata. Crucifica-se a prefeitura, o governo, a falta de educação do povo -- como se quem fala não pertencesse ao povo! Nunca se responsabiliza a pessoa que fumou e jogou "só" uma bituca na calçada, "só" um rolo de serpentina, "só" um copo de sorvete vazio. E o tempo que tudo isso leva para ser degradado pelo ambiente? Muitas vezes, décadas e décadas!
Com certeza, campanhas educativas podem ajudar. A própria Operação Belezura, da prefeita Marta Suplicy, procura criar consciência no cidadão. Pessoalmente, nunca vi criança chupar bala sem jogar o papel no chão, diante do pai ou da mãe. Também nunca vi o distinto genitor conversar, explicar que não se deve sujar a calçada. No íntimo, pensam:
-- Ora, "foi só" um papelzinho...
É incrível como as pessoas gostam de espetar o dedo quando se trata de criticar o próximo, mas são supercondescendentes quando se trata delas mesmas ou dos pimpolhos!
Há mais de duas décadas, viajei pelo Texas e pelo Arizona com um casal de americanos. Surpreso, notei um saquinho pendurado no painel do carro.
-- Que é isso?
-- Para botar o lixo!
Espantei-me. Confesso: para mim, lixo se atirava pela janela.
Quando criança, passeava de carro e adorava jogar folhas de revista e ver como flutuavam no vento! Não nego: tinha o instinto de porcalhão. Achei exagero de americano. Soube então que havia multas para quem emporcalhasse o asfalto. Atualmente, atirar uma lata de cerveja pela janela em território dos Estados Unidos equivale a multa de uns 500 dólares, rigorosamente cobrada.
Diante do exemplo, tendo a acreditar que campanhas educativas, por si só, não resolvem. Vale mesmo é uma boa tungada no bolso. Muita gente vai querer arrancar minha língua -- afinal, já existem tantas taxas, impostos etc., e mais etc. e etc.! Mas, se os porcalhões fossem multados... ah, a cidade seria, sim... uma belezura!
<R+>
(Revista *Veja São Paulo*. São Paulo, Abril, 28 fev. 2001.)
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Reflita sobre ----- texto original e sem modificações, mas que vale até para os dias de hoje!

Aqui em época de politica as ruas ficam imundas. Cpm
ResponderExcluirAcho que em todo lugar viu?!
ExcluirEu acho um absurdo tanta sujeira e pouco serviço deles. Fazem a maior sujeira nas ruas e trabalho q é bom nada. Só mordomias.Adorei o texto. Bjs CPM
ResponderExcluirExatamente isso
ExcluirMais é mesmo .Adorei
ResponderExcluirÉ sim Maah
ExcluirTodos nos somos um poucos culpados pelas sujeiras do mundo, porque como voce mesmo disse: é só um, é só mais um, mas quando é um mundo jogando sujeiras nas ruas.
ResponderExcluirAdorei o texto, uma otima forma de pensarmos
É verdade, somos todos um pouco culpados 😔
ExcluirAdorei o seu texto parabéns.
ResponderExcluirBjus
Família blogueira
Obrigada ^-^
ExcluirGostei do texo.em termo de organização e educação nesse sentido temos que melhora muito bjs familha blogueira
ResponderExcluirDevemos todos nós policiar quanto a isso
ExcluirTexto muito bom para reflexão, infelizmente as pessoas ainda veem como uma coisa normal jogar lixo nas ruas e quando acontece os alagamentos ficam culpando os outros mas não lembram quantas latinhas e papéis de bala jogaram pela janela do carro.
ResponderExcluirO texto é bem explicado mais e difícil muitos entenderem.
ResponderExcluirEm época de eleição o que mais tem são pessoas porcas que não ver como a cidade fica.
Verdade, so pensam neles mesmos...
ExcluirO texto ficou muito bem explicado, mas pessoas deveriam ver.
ResponderExcluirObrigada Teus 🥰
ExcluirAqui Também Eh Assim ! Parece Um Lixão 😒😫
ResponderExcluirE Parabéns pelo Seu Texto 😍😍😍Ficou Perfeito !
Na maioria dos lugares 😥
ExcluirObrigada viu?! <3